Poesia & Cia


FEBRE

Febril

 

A mariposa, noturna, sobe e pousa

A bailarina taciturna, baila e cansa

A prostituta, soturna, depois repousa

A menina, diurna; só no sonho, dança

 

Meu nervo ótico, sensitivo, se agita

Meu sonho, caótico, não se acalma

Meu verso, exótico, distorce e grita

Nosso sexo, erótico, é febre na alma



Escrito por Regis Marques às 19h34
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




O VOO DE BEM-TE-VI

 

 

         A menina foi atraída ao terraço pelo canto insistente de um pássaro. Ele a chamava, insistente, “bem-te-vi”. Ela atendeu ao chamamento e o que viu a encantou e assustou. O pássaro dourado repetia: “bem-te-vi, bem-te-vi”. O que ele teria visto? Ela não havia feito nada de errado, mas o pássaro repetia sua cantilena: “bem-te-vi, bem-te-vi”. Será que aquele pássaro fofoqueiro iria contar alguma mentira ao papai?

         Antes que houvesse alguma confusão foi correndo contar ao pai o que vira. E falou da beleza do pássaro dourado e de seu canto diferente. Sorrindo, o pai lhe explicou que aquele pássaro era um bem-te-vi, que havia feito seu ninho num árvore próxima e que cantava assim para chamar sua namorada.

- O que é um ninho?, perguntou

- É a casa dos passarinhos. Eles a constroem para casar e ter filhos. – explicou-lhe o pai.

- Quando eu for casar vou construir minha própria casa?

- Vai, sim, minha bem-ti-vizinha -, disse o pai, sorrindo, entre surpreso e emocionado.

Mas a menina ficara encantada mesmo foi com o canto do pássaro. Todas as tardes esperava, ansiosa, a volta do bem-te-vi que vinha cantar na pauta de metal que conduzia eletricidade para as casas de sua rua. E quando ele, infalivelmente, aparecia quando o sol se punha, ela, como uma bem-te-vi, repetia o gorjeio do pássaro.

Mas a menina cresceu. E o pai seguiu chamando-a de “bem-te-vi”. Ela não se importava. Era mesmo como uma ave. Planava, em voos solo, e em movimentos graciosos enfeitava o céu de sua família e amigos. Sua voz era um trinar que encantava e aquecia as manhãs de seus pais e seus irmãos.

Mas ela tinha que voar com suas próprias asas. Ela precisava voar! E partiu. A menina encantada com o canto do bem-te-vi virou advogada e hoje defende pessoas que não tem como pagar advogados.

Ontem, a bem-te-vi voou mais alto. Foi construir seu próprio ninho: casou!

Hoje, Bem-te-vi é a senhora Lívia Guanaré Sampaio, mulher de Leandro.

Que Deus a abençoe e ouça seu canto em defesa dos que precisam.



Escrito por Regis Marques às 18h58
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




ESFAIMADO

Tenho fome

De me entregar

Fome de mar

Fome de amar

 

Choro uma dor

Do amor escondido

Do amor perdido

Do amar sem-sentido

 

Sofro a sua ausência

A falta de teu olhar

A falta de sonhar

A falta de te amar

 

Nunca mais... nunca mais



Escrito por Regis Marques às 01h17
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




COMO PUDE VIVER SEM TI???

Lembras a mim da minha melancolia

Fina ironia ante a minha triste rotina

Lês em mim a tristeza quase ferina

 E minha vida aos teus olhos anoitecia

 

Correm, lépidas, como corredeiras

De um rio que deságua em mar incerto,

Chagas de coração de esperança deserto

Lembranças mui doridas, verdadeiras.

 

E, se em mim a vida jamais amanhece

Choro, silente, a morte da efêmera vida

Como chorei na noite da tua partida

Choro! – A rosa do meu sonho fenece

  

E se as feridas da alma jamais irão sarar

Tuas palavras incrédulas ganham razão

 E se há chagas eternas em meu coração

Jamais voltarei a conjugar o verbo amar  

 

 

Como pude viver sem ti??? 



Escrito por Regis Marques às 19h37
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Meu perfil
BRASIL, Nordeste, SAO LUIS, Homem, de 46 a 55 anos
Histórico
Outros sites
  Canto da Boca
  Conceição Duarte
  DIGRESSIVA MARIA
  Su
  DORA VILELA
  VERSO & PROSA ENCADEADOS - TARCISO, LOBA, JEANETE E REGIS
  IN VISÍVEL- RÔ
  PALAVRAS AO VENTO, DE KYRA
  Janelas do Zeca
  LOBA
  H@ VIDA DEPOIS DOS 40 - LUIZ TARCISO
  MAR DA POESIA - JEANETE RUARO
  NONATO REIS - JORNALISMO
  Dade Amorim
  Palimpnoia
  Gabi Fornells
  ROGÉRIO SIMÕES
  PONTO GÊ - GEÓRGIA
  Roda de Prosa - Soninha
  SONIA PALLONE
  O Olho - Jota Effe