


Um homem
Eu conheci um homem que tinha sede de amar. E que viveu de amar e para amar. Amou todos os dias de sua vida.
Eu conheci um homem que tinha alegria. Respirava alegria. Até quando chorava era de alegria.
Eu conheci um homem que tinha a emoção na pele. Seu sorriso era emoção. Sua carne era emoção.
Eu conheci um homem que era doação. Cada gesto era doação. Seu mundo era doação. Não sabia viver pra si. Só se doava. Mesmo só, se doava.
Eu conheci um homem de muitos amigos. Caminhava em direção aos amigos. Vivia a amizade.
Eu conheci um homem que era só sentimento. Em todo momento.
Tá morrendo sozinho. Sozinho e triste. Eu já não o reconheço em mim.
Fatos pontuais
Quando te falo de amor és reticências
Quando te olho, interrogação
Quando tu chegas, exclamação
Se te vais, ponto de partida
Se voltas, ponto continuando
Se és feliz, sou teu contraponto
Se triste, ponto parágrafo
Sem rumo, és pontos cardeais
Há hiatos em nossa luxúria
Ponto e vírgula em nossos sonhos
e parênteses em nossa alegria.
Na tua partida, sou ponto final.
Angústia de quem vive

Eu queria falar de amar
De amar e de amor
Queria falar de esperanças
Principalmente de sonhos
Queria sonhar
Só uma vez mais
Uma última vez
Só uma
Queria adormecer num colo e sonhar
não lembro da última vez que sonhei
não tenho colo pra adormecer
Eu queria sonhar. Pela última vez!
Eu queria re-sonhar meus sonhos
de encontrar um grande amor
E morrer por esse amor
e com esse amor
Mas já nem sei o que é um amor
Eu queria afastar de mim essa dor
que me arranca a alma
me destrói em pedaços
que jamais poderei reconstituir
Eu queria fazer cessar essa angústia
que me diz que sou um fracassado
Que meu verso é lixo
e meus amores são farsas
Eu queria abrir a janela
e ver uma manhã de dezembro
chegando com luzes coloridas
Eu queria morrer numa manhã assim
De dezembro
Com luzes coloridas em minha volta
Mas não haverá mais dezembro
Nem vida em dezembro
Eu queria que essa idéia de morte morresse sem mim
Eu queria desatar esse nó da garganta
e parar de me desfazer em lágrimas
Meu Deus, onde perdi minha alegria de viver?
Onde sepultei minhas esperanças?
Quero reencontrar a minha paz
Como dói a solidão!
Como dói a falta de sonhos!
Hoje meu filho Adriano completa 15 anos. Peço desculpas aos amigos que aqui estão acostumados com outros tipos de texto que posto neste canto. Mas estes três, escritos por mim, pela minha mulher Neusa e por minha filha Rafaela, em homenagem ao Adriano, falam exatamente daquilo que falo todos os dias. Da felicidade de amar e ser amado. Participem de nossa felicidade.
Regis Adriano Lima Marques - 15 anos
MEU AMOR MASCULINO
Ele chegou num começo de tarde de uma segunda-feira ensolarada. Chegou falando alto e grosso, chamando a atenção de todos. Era grande e forte. Mas, como era bonito!
E eu, que já sonhava com um amor assim há muitos anos, a Ele me entreguei como quem se entrega a um anjo. Seus olhos grandes e seus cabelos negros e fartos me seduziram. Ele fez de mim mais que um homem apaixonado por outro homem: fez de mim um ser que ama. E traduzir esse amor é impossível. E arte de Deus!
Em algumas coisas ele se parece comigo. É tímido, introvertido. Até seu rosto lembra o meu. Suas fotos de quando era menino mostram como somos semelhantes. Seu timbre é forte e seu jeito é sedutor sem ser cafajeste, e seu porte agrada às meninas. Ama as mulheres sem ser volúvel. É elegante e gentil com elas e isso me deixa orgulhoso dele. Principalmente as que dividimos em nossa casa e, às vezes, os nossos carinhos.
Em outras coisas ele é meu contraponto. O inverso de mim. Gosta de rock. Eu, de baladas. Mas nem por isso deixamos de dançarmos juntos. Ele adora balas e coca-cola. Eu odeio as duas. Mas lhe compro ambas só para ver seu deleite. Ele gosta de boates e luz. Eu gosto de um cantinho escuro em um barzinho à beira-mar. Ele prefere o basquete. Eu adoro futebol. Ele toca violão. Eu só ouço os acordes com emoção. Quando ele chora, sofro.
Ele é meu amor masculino. Quando entrou na minha vida colocou luz e poesia. Há quinze anos vive comigo. Eu o tomo pelas mãos e o beijo no rosto. Ele me toma a mão e me beija. E eu o abençôo. E peço a Deus que o abençoe.
Eu o amo. É meu filho caçula. Que hoje faz quinze anos. Não vou poder lhe dar a festa que sempre sonhou. Mas nossos corações estão
Feliz aniversário, meu amor masculino. Feliz aniversário, meu homem. SÊ FELIZ, FILHO! EU TE AMO. A GENTE TE AMA, ADRIANO.
(Escrito por Regis, o pai apaixonado)
ADRIANO
Hoje é seu aniversário. São 15 anos de existência que para mim se traduzem em felicidade por ser sua mãe.
Esta é uma data daquelas que a gente espera com ansiedade, pois, sabemos que com ela virão muitos sonhos e encantamentos que tentamos tornar realidade em nossa caminhada.
Meu filho, a partir de agora parece que tudo faz mais sentido e que somos capazes de intervir mais na construção do nosso “eu”, da nossa felicidade – e é verdade. Você, agora com 15 anos, terá mais consciência desse papel, e vai buscar valorizar e viver mais os princípios que lhe passamos, por exemplo: o respeito pelo próximo, a amizade, a lealdade, a fidelidade, amor aos estudos e à liberdade. Enfim, tudo que possa contribuir para que você se torne cada vez mais essa pessoa maravilhosa que você é. Eu acredito em você, em sua capacidade.
Neste momento tão significativo eu não posso estar com você. Mas, apenas fisicamente. Estou presente em oração, pedindo ao nosso Deus pela sua felicidade, para que você se torne um homem de fé, que tenha capacidade de acreditar não só naquilo que vê; que seja um bom cristão, capaz de amar e ajudar indiscriminadamente aos nossos irmãos em Cristo; que seja ponte que une e nunca muro que separa; que continue a ser esse nosso filho maravilhoso, meu doce companheiro; esse irmão lindo, amigo e cúmplice de Rafaela.
Sei que não precisaria justificar aqui minha ausência, mas você sabe que ela se faz necessária e isso faz parte das responsabilidades que assumimos perante a Vida. No entanto, essa falta não diminui em nada o imenso amor que sinto por você. Saiba que, com sua irmã, são os motivos das minhas maiores buscas, são as respostas aos meus sem-número de questionamentos existenciais.
Para finalizar, que Deus todo poderoso aqui presente te cubra de todas as bênçãos. E mesmo que ninguém aqui entenda esse jargão tão exclusivamente nosso, quero repetir o que voe já sabe: sou louca, apaixonada, desesperada por ti...
Te amo muito.
Beijos, tua mãe.
Neusa.
(Escrito por Neusa, a mãe apaixonada)
PRESENTE DOS CÉUS
Ao meu irmão, meu amigo, meu companheiro e meu porto seguro, eu não conseguiria jamais dizer o quanto me é reconfortante saber que o encontro em casa todos os dias. Porque nesses 15 anos sempre me senti alguém realmente abençoada por ter nascido no mesmo universo que um dia ele viria iluminar com toda sua presença de espírito maravilhosa, com toda a sua graça inteligente e todo seu otimismo fortalecedor.
Por todas as vezes que nós discutimos – por causa de um favor, nossos gostos musicais diferentes e etc. – eu entendo que nos perdoamos mutuamente. Aliás, nem há o que perdoar: nossa sintonia é tanta que jamais nos ferimos a fundo. E eu sou até capaz de escutar rock com ele à vezes, e quando ele me pega cantando uma ou outra música do repertório de ‘metal melódico’ que ele me faz ouvir o tempo todo, ele sempre diz: ‘um dia tu ainda vira roqueira.’
E eu sei que ele não admite, mas curte comigo o cd dos Los Hermanos. E eu aviso que de parabéns estamos mais nós do que ele, porque temos esse presente dos céus em nossas vidas.
(Escrito por Rafaela, a irmã presenteada)
Não vivo em busca de emoções fortes
Não temo, sequer, pela minha sorte
Não volvo a nenhum dos meus degraus anteriores
Não desço sobre o arco-iris em busca de cores
Ergo-me! Quero o presente
quero-te presente
quero os presentes
Todos os que deixastes de entregar
Tua alma
sentimentos
belos momentos
Quero subir na lápide fria
do meu passado recente e escrever
com a brasa do meu coração
um epitáfio simbólico
"Aqui jaz"
Sem nomes, sem versos
sem datas extremas e sem lembranças.
Um pagão desconhecido
(Este texto foi publicado originalmente no blog 'Verso e Prosa Encadeados' que tenho a honra de partilhar, primeiro com o Luis Tarciso e Loba e, agora, também com a poeta Jeanete Ruaro. Peço desculpas a eles para atender a um pedido, e à Claudinha, Elise, Geórgia, Kyra, Sabrina e Loba, que me deram o prazer de seus comentários lá).
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Ainda te amo
Hoje alguém sussurrou teu nome
e, meu coração, atento, ouviu
e sorriu!
despertou
se abriu
saiu
foi em busca de recordações
de nossos sonhos, nossas ilusões
esperanças, planos e enganos
Não bebi tua juventude
Mas saciei-me no ciúme juvenil
Sorvi tua voz suave
Amei o teu amor,
Hoje morro com tua dor
Estás em mim de tal forma incrustada
Que esfrego, sôfrego, minha pele rota
E sob cada camada encontro tatuada
teu nome e a palavra “amada”
Hoje disseram que ainda me amas
E meu coração perguntou triste:
Porque a gente resiste?
Emudeço.
Por quê?
Por cinco dias estive com meu blog bloqueado por razões que só a alta tecnologia pode explicar. Como não entendo nada disso, peço desculpas. E prometo que agora vai ser diferente. Nunca mais paro. Ou não devo dizer nunca?
Beijos e obrigado pelo imenso carinho que recebi de todos.
Deo corde
Meus medos
Sempre fui movido por sentimentos. Primeiro foram os medos. Tive medo de escuro, de fofão e de ficar sozinho. Tive medo dos soldados da Ditadura, que chegavam para levar meu pai cada vez que eu voltava pra casa no fim de tarde dos meus dez anos. Tive medo de alma e de ladrão. Tive muitos medos.
Não venci meus medos, mas me acostumei a eles e hoje sei conviver com alguns deles.
Eu experimentei outros sentimentos. Perda, solidão, tristeza e renúncia fizeram par constante com meus sonhos. Experimentei amar aos 15 anos e amei de verdade aos 20. Amei com loucura por um mês um amor que cultivei por cinco anos à distância. Joguei tudo pra cima e amei. Intensamente. Plenamente. Como jamais voltei a amar e como sei que jamais voltarei a amar. Amei como poucos foram capazes de amar. E me perdi em sonhos.
Ah!, os sonhos! Eu os experimentei todos. Neles corria na chuva de mãos dadas com ela. Tomava água de coco no mesmo canudinho e rolava na areia da praia nas madrugadas de São Luís.
Hoje meus medos estão voltando. Tenho medo de sofrer quando meu outono chegar. Temo não viver mais um grande amor antes do meu ocaso. Mas não temo a morte. Nestes últimos dias, com meu blog travado, tive muito medo. De perder meus amigos. De me distanciar deles. Da Mari, Elise, Miss Borboletinha, Kyra, Reis, Cláudia, Maria Cláudia, Ricardo, Cuca, Rennê, Olga, Rô, Diana-Dru, Geórgia, Gabi, Jorge Neto, Ariane, Digressiva Maria, Aldinha, os meus três companheiros da deliciosa aventura do Encadeados -,Tarciso, Jeanete e Loba, esta, também minha jardineira junto com a Alegria. Devo ter esquecido de alguém. Mas o medo de esquecer fez com que eu guardasse todos no coração.
Tenho medo de ter medo por meus filhos. Medo de não fazê-los feliz. Tenho medo de minha família desmoronar e por isso tento uma, duas, cinco mil vezes nos manter unidos.
Mas não tenho medo de enfrentar a Vida de frente. Aos 50 anos – quase 51 -, volto a me abrir pra vida. Pra minha poesia. E que elas entrem em mim como se fosse o sol desvirginando a madrugada, como disse Gonzaginha. Eu só não tenho medo de amar.
(Para minha amiga Ellis, quem primeiro me falou de medos e me segredou alguns deles. Beijo, fascinado, na tua alma minha amiga poeta.)
Passarinha
Meus sonhos têm todos os matizes
Todas as matrizes
Todos os deslizes,
Qual a cor do amor-perfeito?
Será o verde da esperança
Ou o vermelho no leito?...
Quebro, pois, régua e compasso
enveredo pelo teu espaço
Em busca do teu regaço
E, na noite que se avizinha
Quero teu canto, passarinha
E, de manhã, me aninha
Não sou,
meu amor,
teu escravo!
Sou flor,
meu amor,
e não cravo!
A Terra é azul! (Neil Armstrong, primeiro ser humano a pisar na Lua)
O mundo é azul?
Quero ficar no teu canto,
No teu encanto
No teu pranto
Talvez em chamas
Talvez em camas
Talvez sem dramas
Quero ficar no teu riso
Na tua pele lisa
Na tua brisa
Talvez sem paz
Talvez incapaz
Talvez mais
Quero voar nas tuas asas
Invadir a tua casa
Ficar em brasa
Talvez grito
Talvez agito
Um dia, infinito
Quero amar teu amor
Curar tua dor
Sentir teu sabor
Talvez flor
Talvez cor
Talvez amargor
Quero ver pelos teus olhos
Prevendo algum embaraço, disfarço ao entrar... se estou de volta, só vim me buscar (Bruno Batista, compositor e cantor maranhense, in Vazio)
Sê feliz...
Hoje minha alegria voltou
bateu à porta, retornou
toc, toc... não abri
toc, toc... insisti
Era ela, que linda!,
E minha voz aqui presa
balbuciava surpresa
entre...sê bem-vinda!
Hoje a poesia voltou
Chegou tímida...chegou
Toc, toc...vim abrir
Toc, toc...vim sorrir
meu coração chorava ainda
sem razão de ter chorado
balbuciava emocionado
entre...sê bem-vinda!
Hoje eu retornei
em silêncio chorei
toc, toc... choro
toc, toc... imploro
e à minh’alma petiz
com trinco descerrado
balbucio, emocionado
saia... Sê feliz!
Eu tenho uma espécie de dever. De dever de sonhar sempre. Pois sendo mais que um espectador de mim mesmo, eu tenho que ter o maior espetáculo que posso (Fernando Pessoa, in Desassossego)
Cartas de Elise...
As cartas chegam assim
sem carteiro, sem campainha
não há sequer envelopes
trazem corações invisíveis
pintados com as cores da magia
emoções estampadas em cada linha
falam de sensualidade
sussurram eternidade
chegam e tocam como carícias
às vezes, em cascata,
outras, em avalanches
provocam suspiros
induzem sonhos
traduzem
mas há a marca da mulher na poeta
que deixa sinais
reinventa o êxtase
quebra limites
como deusa cria...
dom maior do ser humano
São cartas
Poesia em gotas
sonhos e prazeres de Elise
O amor é um grande laço, um passo pra uma armadilha. Um lobo correndo em círculo pra alimentar a matilha (Djavan)
Fechado para balanço
Não me dou o direito de ser hipócrita
Não desdigo minhas palavras
Não desminto meus versos
Não calo minha consciência
Não usufruo de minhas desditas
Não flutuo nas feridas
Não te uso
Só, plano. Soprano
Se teus versos são meus, envaideço
Se não são, não enlouqueço
Não quero aplausos
Eu não sou o espetáculo
Nem circo
Meu riso é exatamente isso: riso
Minha lágrima, lágrima de verdade
Não minto por mim. Nem pra ti
Não faço gestos inúteis
Não faço versos fúteis
Se sou, sou transparência
Se sexo, indecência
Se verbo, coerência
Não quero luzes, ribalta
Nem amores furtados
Nem palavras, nem posts
Não quero nada
Quero minha letra
Viva ou morta!
E a vida, ainda que tarde...
Nesta tarde...
Meu coração é mesmo sem juízo, não sabe que eu preciso deixar de gostar tanto assim. Meu coração, às vezes me entristece, meu coração parece que não gosta de mim (Moacyr Franco, in Coração Sem Juízo)
Eu e o Poeta
Há dois em mim
O poeta que eu recuso
E o homem recluso
O poeta é dúbio
O homem, esbulho
O poeta encanta
O homem se desencanta
E os papéis se invertem...
Quando te falo de amor,
sou eu sussurrando
às outras, sem dor
é o poeta enganando
A ti descrevo sonhos,
- sou eu te amando
às outras, risonho,
é o poeta delirando
Somos dois, eu e o poeta
Ele diz mentiras
Eu omito verdades
Se calo,
é o homem que medra
Se falo,
é o poeta ventríloquo
Te vejo através das letras
bailando entre palavras
todos os matizes num só azul
É o homem, a se consumir
E a ti, que pareço?
homem ou poeta?
poeta ou homem?
Louco? Poeta?
Poeta louco?
Eu nunca toquei na vida. Nunca soube como se amava, apenas soube como se sonhava amar. (Fernando Pessoa)
Se...
Se eu tivesse uma manhã azul...
Se eu tivesse uma ilha dourada...
Se eu tivesse um bosque verde...
Se eu tivesse campos de girassóis
Se eu tivesse um mar de rosas
Se eu tivesse sóis vermelhos
Tudo seria teu...
Se eu tivesse o teu sorriso
- Que Alegria! –
O mundo seria meu...
Hoje
Hoje, quando a noite chegar...
Vou esquecer de minhas medidas
- esquecer das dores sofridas
Hoje vou descer do pedestal
Deixar cair a máscara fria
- deixar sumir minha agonia
Hoje vou andar sobre o fio da navalha
Enfrentar todos os meus desafios
- enfrentar meus desatinos
Hoje vou despir-me de meus sonhos
Quero-te, realidade, nua e crua
- quero-te, na realidade, nua
Vício
(Regis Marques)
Não bebo,
mas fico embriagado,
Alcoólatra de teus líquidos,
Quando sorvo gotas de ti!
Não fumo,
Mas dependo de teus aromas
Nuvens de prazer etéreo
Quando aspiro tuas sensações
Não jogo,
Mas espreito, sob o veludo verde,
Ases, curingas e valetes
Invadindo teus sonhos embaralhados
Quedo, sem amparo,
Bêbado, drogado,
Com esse vício sem cura
Com esse amor sem remédio
Quando a gente tenta, de qualquer maneira, dele se guardar, sentimento ilhado, morto, amordaçado, volta a incomodar. (Fagner, in Revelação)
Saudade viva
Minha vida! Oh, minha vida!
Quantas manhãs te sonhei...
Quantos poemas versei...
Quantos sonhos roubei...
Quantas noites chorei...
Quantas vezes te dei...
Tua vida! Ah, tua vida!
Quantas tardes eu quis...
Quantos caminhos refiz..
Quantos sonhos desfiz...
Quanto mal eu te fiz...
Quanto amor infeliz...
Nossas vidas! Ah, nossas vidas!
Só restaram feridas
Chagas doloridas
Camas repartidas
Alegrias sumidas
Vidas...sem vida
(Roberto e Erasmo Carlos, in Seu Corpo)
Em outra pele
Não quero teus lindos versos...
- Quero teu anverso, o (re) verso!
Não quero textos
Quero-nos bissextos...
Não quero floreios...
- Quero flores!
Não quero dores...
- Quero cores!
Não quero sentimentos...
- Quero momentos!
Não quero a métrica...
- Quero-te elétrica!
Não quero a suavidade...
- Quero sua vaidade!
Não quero sons complexos...
- Quero amplexos!
Não quero tercetos, sonetos!
- Quero ter, só!
Não quero cantos...
- Quero encantos
Não quero emoções...
- Quero sensações!
Não quero tua poesia rítmica, compassada...
- Quero a disritmia dos gestos, apressados!
Não quero...
quero...só quero
Meu retrato ainda na parede meio amarelado pelo tempo, como a perguntar por onde andei (Roberto Carlos, in O Portão)
Lágrima
Vi sua lágrima,
...furtiva
pela porta entreaberta
chorei também
nunca a vi chorar antes
não por amor...
agora, antes de sair
chorou...
tantos anos juntos
tantas noites
tantas juras
tantas esperanças
e acaba assim...
com uma lágrima escondida
Não era a mesma mulher
aquela quase menina
com um corpo exuberante
que exalando desejos