Todo o amor que houver nessa vida
(Cazuza)
Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva
Ser teu pão, ser tua comida
Todo o amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
E ser artista no teu convívio
Pelo inferno e céu e toda dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o tédio em melodia
Ser teu pão, ser tua comida
Todo o amor que houver nessa vida
E algum veneno anti-monotonia
E seu eu achar tua fonte escondida
Te alcanço em cheio, o mel e a ferida
O corpo inteiro feito furacão
Boca, nuca, mão e tua mente não
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédio que me dê alegria...
Estou te trazendo minhas últimas flores. Inodoras, descoloridas e despedaçadas. São as que me restaram da roseira que plantastes. São caídas, como os sonhos que abdiquei. Com folhas amareladas e pétalas soltas deixadas no caminho, como rastros que vão desaparecer, mas que podem perfumar os passos que virão a seguir. Talvez de teus pés.
Minhas rosas não são sequer rosas como a que recebia a cada manhã, com um beijo. São flores de um maio esquecido. De uma primavera que já não existe. Mas as dou a você. São o que me restaram. Como um último beijo de um romance que não foi escrito. Um último passo de uma trajetória errante nesse mundo físico.
Perdi meus sonhos. Buscava um amor impossível. Sempre busquei, e hoje, quando a curva dos anos me faz pensar na insanidade dessa busca, sei que devo ter vivido esse amor e nem o percebi. Talvez tenha se perdido entre as dores que vivi, as paixões que senti e os amores que julguei ter tido. Destruí muitos outros. De pessoas que me amavam e que morreriam de amor por mim. Fiquei, feito nau sem rumo, em busca de um porto que eu sabia que não existia. Fiz muita gente infeliz e a culpa é toda minha.
Não quero a máscara da alegria a ocultar, cética, todos os meus sentimentos mais mesquinhos.Eu vivo aqui entre folhas secas de um inverno insuspeito o desconforto de viver em descompasso com a vida. Meus sentimentos são um dique represado que ameaça ruir. E como se mergulhasse num infinito mar morto em busca de estrelas-do-mar que nunca tiveram brilho e, na mesma braçada de quem, trôpego, tateia num ímpeto, o firmamento como a procurar anjos decaídos.
Silencio e me sentencio à solidão. Uma sentença que me faz flutuar entre meus medos. Salto entre doces lembranças e amargas recordações.
Sou como o aroma fugidio de uma papoula encravada na cordilheira, à espera de ser colhida para se transformar no ópio de que embriaga quem ama com tantos decibéis de intensidade como sonhei um dia amar.
Sonhei amar e consumir todas as natas que o amor produz. E me delatar em cada gesto, fazendo do teu dorso um corso de carruagens floridas.
Abrigo-me em meu pouco brilho à contraluz, refletindo minha ilusão que se desfaz em fragmentos azuis.
Talvez, um dia, meus sonhos hão de reflorir!
Hoje, não!
Tua em pêlo
Não sonharia o delírio louco
De imaginar-me teu e tu minha
Nem deliraria meu sonho, fadinha
De um dia querer tanto em tão pouco
Transformei tudo em alegoria
Uma quimera inútil e árida
Uma tela sem traços, pálida
Triste fim o de minha fantasia
Nessa tristeza de te ouvir lamentar
Que nossos corpos são dois calvários
Sou sonhos e delírios solitários
Eu a te buscar sem te encontrar
E te espero com tal enlevo
A aguardo como louco desvairado
que grites a um “eu” alucinado
“Sou tua! Toda tua, em pêlo”

Ele vive
Não toco,
Na manhã que nasce
No sol que arde
Na tarde que vai
Na noite que chega
Não vejo,
A essência da flor
O êxtase do encontro
A latência da saudade
O som de um violino
Não explico
O vai-e-vem das ondas
O por-do-sol
O canto das aves
A brisa do mar
Então, não existem?
Ele vive II
Eu O vi nas ondas no mar
Em cada grão de areia.
Vi na manhã que nascia
No sol que surgia
Na tua poesia, na tua alegria
Eu O vi na criança
Na dança, na lembrança
Eu O vi na prece
No perdão, no silêncio
Na estrela
Eu O vi no (teu) sorriso
No luto, no agnóstico, no ateu,
Eu O vi na negação
Na afirmação, na solidão

Somos imagens refletidas coloridas de nós
mesmos ou palavras descoloridas?
(pressione a tecla esquerda do mouse e passe sobre a área branca para ler)
Como seguir meu caminho ermo...
sequer consigo seguir teus contornos?
Como multiplicar sonhos maduros...
se não consigo vencer ilusões?
Como saciar minha sede de amar...
se secastes a fonte da minha esperança?
Como posso pensar em te amar...
se não sei onde escondes tua alma?
Se não acho teu cantar...
Se não encontro tua boca...
Se não deságuo em teu colo...
Se não invado teu interior...
Se não sou teu desejo...
Se não ganho teu beijo...
Se não ouço tua voz...
Se não sou teu canto solo...
Que me adianta ser mais que palavras?
Pra Marielle, com ternura.
Há meses entrei num chat e conheci alguém. Uma pessoa especial. Uma quase menina especial. Sonhadora. Com o amor explodindo. Quer ser amada como ama. Quer ser vista com a mesma lente translúcida e cristalina com a qual vê o mundo.
É sensível, culta, extraordinariamente inteligente e terrivelmente só. Um ser humano admirável. Um coração que pulsa como só as belas almas o possuem e pulsam. Uma criança que ontem me lançou um grito desesperado de ajuda e eu não estava aqui pra ajudá-la. E sofro por isso.
Ela não é poeta. Não no sentido restrito da palavra. Mas escreve coisas lindas. Como a alma iluminada que ela tem. Talvez reprove o que faço agora e eu até perca seu carinho, mas quero prestar uma homenagem a essa mulher fantástica para poder demonstrar todo o meu carinho por ela. Que Deus a ilumine. Eu a amo como um pai ama uma filha. É minha outra filha em Deus..
www.eumetransformoemoutras.blogger.com.br
Última estrelinha
Última estrelinha pura
De todo o firmamento
Sente o frio que a saudade provoca
Mas tem o calor das emoções
Poente já na manhã que nasce
Brilho do sol em minhas noites
Criança de alma febril
Menina que se descobriu
E se desnudou pro mundo
E o concebe com dignidade
Que planta fé nos outros
E colhe tempestade
Mutante,
Latente
Amante
Que se transforma
Que me encanta
Que canta
e me clama
Numa prece inaudível
Quanto teu sol nascer
Há de brilhar com tal intensidade
Que vai ofuscar tudo mais
que há entre o céu e a terra.
Que a morte nos separe
Não chame por meus escritos
são na verdade reles proscritos
não declame esses meus versos
não são poemas, são desertos
Não clame pelo pranto que chorei
já não choro nem soluço. silenciei
hoje eu só quero essa sorte
a paz plena de uma boa morte.
Não a morte física, diabética
que acaricia a alma esquelética
este corpo que em mim jaz
há muito em vermes se desfaz.
Quero a morte de meu lado insano
outrem, desavisado, profano
ainda ousa aqui chamar de “poesia”
como se tivesse grande valia
Não quero drama, nem fumo
nada. Da estrada da vida sumo
cartas melosas, adeuses fingidos
discursos ou prantos doridos
não ponham flores artificiais!
às minhas dores mais banais
quero o cadáver insepulto
- em artifícios vivi oculto -
Não chame por mim, estou morto
Quando encontrar com alguém absorto
Se lendo estas num canto do mundo
Diga que são versos de vagabundo
quero, para acalmar meu tormento,
sobre a lápide de pedra e cimento
desenhada com pedaços de giz
a capa do livro que não fiz
AMAR
O mar
Ah, mar!
Porque nesse teu ir-e-vir
Não trazes de volta o meu amar?

Dois amantes
Juntei conchinhas
ladrilhei a areia
e escrevi teu nome
a onda levou tudo
- ciúmes, segredou-me,
maliciosa e confidente
uma estrela do mar
sorri encantado,
e, confesso, aliviado
agora somos dois
teu nome a guardar
agora, somos dois,
eu e o mar,
a te amar
Hoje vou de encontro ao mar de minha cidade. Vou passar alguns dias navegando em outros mares, escrevendo versos na areia e vendo na linha do Equador o mais belo sol do Universo. Vou deixar três textos que estão intrinsicamente relacionados. Um, meu, tenta desvendar porque minha alegria sumida está voltando e como três de vocês mexeram comigo ontem. Os outros dois foram, ao longo de trinta anos, ombros nos quais me apoiei na hora de me confrontar com meus fragmentos nas estações da minha Vida. Até a volta!

Tenho seis irmãos e sempre fui mais próximo do caçula, que tem o mesmo nome de meu pai, Vera Cruz Marques Jr. Quando nasceu eu já era crescidinho e o via sempre como um bebê. Adolescente, costumava sentar no meu colo e eu adorava fazê-lo rir. Só pra ouvir sua gargalhada. Só ele visita este meu cantinho e me rasga elogios. Acha, ainda, que eu, já entrando nos meus anos outonais, ainda seria um grande jornalista no Sul. É o amor dele.
Há alguns anos, vendo o homem amargurado em que eu me transformara, ele foi direto: “Onde se escondeu tua alegria?”, perguntou, de supetão. Guardei silêncio. Nunca soube a resposta.
Falo isso porque hoje me deparei-me pela primeira vez com uma situação que antes nunca havia enfrentado. Nos comentários carinhosos feitos por amigos no meu blog, Loba, (www.lobamulher.blog.uol.com.br),Luiz Tarciso (www.luiztarciso.zip.net) e Elise (www.ascartasdeelise.zip.net) falaram de um assunto que pra mim era tabu: a minha leitura e tradução da vida. Da minha vida. Da minha visão da poesia e do mundo.
Confesso que me surpreendi. Nunca havia feito reflexões sobre minha circunstancial passagem neste mundo físico. Por mais que isso pareça absurdo, e por mais que meus textos - que alguns ousam chamar de poemas -, digam o contrário.
Nunca pensei minha vida em termos filosóficos. Sou, sem reservas, um metal imantado que atrai fragmentos de todas as minhas estações de estado de espírito.
Pauto minha vida
Não sou, certamente, exemplo de equilíbrio e coerência. Muita coisa que aqui escrevo não é, naturalmente, reflexo do meu estado de espírito daquele momento. Há muito de licenciosidade poética da qual me assenhoreio sem ser um deles. Mas, noutras estações, sou eu mesmo falando. E sofrendo, sonhando, amando...
Sou alternância entre o meu eu de hoje e o que fui em vários momentos da minha vida. Nunca me perguntei de onde venho. Nunca quis saber para onde vou! Minha obra são cacos em todas as suas nuances. Junto-os aqui e ali e vou montando meu mosaico sem nunca saber resultado final, pois assim que começo a me achar, mudo, desfaço tudo e recomeço. Já com novas peças desse instigante quebra-cabeças que se chama, em mim, amor ao próximo. É verdade que fui um homem muito cheio de vida. Mas quando vida para mim dava pra me encher de alegrias. Hoje, tenho dois filhos que são peças desse mosaico. E eles formam um desenho que se completa e me faz ver a magia da Vida. Por eles sou feliz. Por eles, alegria.
Algo aqui dentro me diz agora: é pouco? Não, claro! São eles a minha manhã cor-de-rosa, como o texto que lhes dediquei na abertura deste blog, quando eles o criaram pra mim. Mas, são eles algumas de minhas estações. Outras existem, além deles. E enclausuram o homem alegre o qual meu caçula reclamou a ausência um dia.
Aqui tenho feito grandes amigos – e os três que citei acima são alguns dos mais especiais. Sou reconhecida e publicamente agradecido pela poesia dos três e de todos os outros, mas não segredo a especial predileção que tenho pela arte de poetar da Elise, e da Alegria, que são as que, acho, mais se assemelham ao que escrevo ou que, pelo menos, gostaria de escrever.
Mas nem sempre foi assim. Há quatro meses, quando não escrevia aqui e nem em lugar nenhum, estava deserto de amizades. Não havia sobrado nenhum dos muitos que fiz durante minha caminhada. Publiquei um anúncio num site de relacionamento buscando amigos. Amigo, pra mim, é mais que um abraço, um gesto de carinho ou uma lágrima dividida. Eu os busco como quem procura sua própria alegria de viver. Dois textos – ambos com mais de 30 anos em meus armários – simbolizam de forma objetiva essa minha busca. E hoje eu queria dividi-los com vocês, que hoje posso chamar de amigos sem medo de errar. E, talvez, hoje possa dizer ao meu irmão caçula, que, por vocês, minha alegria está voltando.
PROCURA-SE UM AMIGO!
Não é preciso que seja homem. Basta ser humano; basta ter sentimento; basta ter coração!
Precisa saber compartilhar dores e alegrias. Precisa saber falar e saber calar. Mas, sobretudo, saber ouvir.
Tem que gostar de poesia, de madrugada, de música, do sol e da lua. Deve ter um grande amor por alguém ou, então, sentir falta de não ter esse amor.
Tem que saber guardar segredo sem se sacrificar. Não é preciso ser de primeira mão nem imprescindível ser de segunda. Pode ter sido enganado, pode já ter cometido faltas...
Não é preciso que seja puro, nem de todo impuro. Mas não deve ser vulgar. Tem que sentir os dias tristes e saber respeitá-los. Tem que saber renunciar em favor de alguém.
Deve ter um ideal e, em caso de não o ter, sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas.
Tem que ter vontade de se integrar ao mundo e no caso de não o ter realizado, esse deve ser um dos seus principais objetivos. Sendo que o principal seja: SER AMIGO!
Deve consolar as pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve ter pena dos que tiveram e perderam coisas queridas. Deve gostar de crianças.
Tem que ser D. Quixote sem, contudo, desprezar Sancho Pança!
Procura-se um amigo para passear, gostar dos mesmos gostos. Ouvir música. Ler. Não precisa ser homem, mas deve ser humano.
Procura-se um amigo que se entristeça com a separação, que fique comovido de todo o coração e deseje a nossa volta para breve. Que se comova quando chamado de amigo!
Procura-se um amigo para não enlouquecer!
Para que se possa contar o que se viu de belo e de triste durante o dia. Dos sustos, das tristezas e das alegrias. Um amigo que não fala de política.
Que saiba conversar coisas simples: de orvalho, da chuva e das recordações da infância. A quem se diga o porquê que tal coisa é assim.
A quem se possa dizer coisas íntimas e fazer perguntas íntimas. Procura-se um amigo que não tenha medo de apontar um defeito, e, quando o faça, saiba fazê-lo.
Procura-se um amigo para não se viver debruçado no passado em busca de memórias.
Que saiba dar esmolas a quem mereça. Que nos bata no ombro, sorrindo ou chorando, mas nos chame de AMIGO.
Procura-se um amigo que nos diga que vale a pena viver, não porque a vida seja bela, mas porque já se tem um amigo e para não fazê-lo sofrer. Procura-se um amigo que creia
Procura-se um amigo para se ter consciência de que ainda se vive.
POR FAVOR, PROCURA-SE UM AMIGO!!!!
Desiderata
Siga tranqüilamente, entre a inquietude e a pressa, lembrando-se de que há sempre paz no silêncio. Tanto quanto possível, sem humilhar-se, mantenha boas relações com todas as pessoas.
Fale sua verdade mansa e claramente, e ouça a dos outros. Mesmo a dos insensatos e ignorantes, pois também eles têm a sua própria história.
Evite as pessoas rancorosas e agressivas: elas afligem o nosso espírito.
Nunca se compare às outras pessoas, pois você se tornará presunçoso e magoado. Porque sempre haverá alguém inferior e alguém superior a você.
Você é filho do Universo! Irmão das estrelas e árvores. Você merece estar aqui.
E mesmo que você não possa perceber, a Terra e o Universo vão cumprindo o seu destino.
Desfrute de suas realizações, bem como de seus planos... Mantenha-se interessado na sua carreira. Pois ela é o caminho real da fortuna cambiante do tempo.
Tenha cautela nos negócios, pois o mundo está cheio de astúcias. Mas não se torne um cético: a virtude existirá sempre.
Muita gente luta por altos ideais e em toda parte a vida está cheia de heroísmos.
Seja você mesmo! Principalmente, não simule afeição, nem seja descrente no amor. Porque mesmo diante de tanta aridez e desencanto, ele é tão perene quanto a relva
Aceite com carinho o conselho dos mais velhos. Alimente a força do espírito que o protegerá num infortúnio inesperado, mas não se desespere com perigos imaginários. Muitos temores nascem do cansaço e da solidão e, a despeito de uma disciplina rígida, que seja gentil consigo mesmo.
Portanto, ESTEJA
E quaisquer que sejam seus trabalhos e aspirações na fatigante jornada da vida, mantenha-se em paz com sua própria alma. Apesar de todas as falsidades, fadigas e desencontros, o mundo é bonito!
Seja prudente! Faça tudo para ser feliz!
Talvez eu não tenha a tradução da tua língua em meu corpo falando o idioma do coração.E por isso sou sempre um talvez, reticências, ausência e omissão. Mas sou, ao mesmo tempo, comunhão e solidão.
Enfrento minha estupidez. Não leio nunca teu lado lunático. Não assino teu verso enfático. Não creio nunca no teu fado poético. Não beijo o seio quase nu do teu corpo hermético. Sou dúvida! Certeza! E esperança...
fala da lua,
da lua nua
que banha a rua
fala de amor
do teu amor
aplaca minha dor
fala de alegria
de tuas fantasia
de tua poesia
fala de sentir
tenta me fazer rir
Pra eu poder dormir
fala pra mim
qualquer coisa
fala assim
teu silêncio
inverte meu fuso
mas que abuso
E nem assim durmo.
Amor eterno
Serei teu para sempre
Quando as angústias voltarem
Quando noites insones chegarem
Quando as manhãs raiarem
Serei teu na minha ausência
Serei teu sem reticências
No afago,
Na carícia
Na malícia
No desejo
Serei teu todos os dias
Nas tuas flores matinais
No orvalho que cai
No teu corpo fruto maduro
No teu gesto imaturo
Serei teu
Na pele
Na alma
Na calma
Na dor
Serei teu à distância
Na minha inconstância
No aroma
Na cama
Serei teu domínio
sob o teu fascínio
serei teu
até que a vida nos una
Serei teu para sempre
Nas horas indômitas
Da festa de nossos corpos
Docedeleite
Sou recheio.
Espremido no sonho
Que mordes suavemente
Sou melaço
Escorrendo no teu regaço
Que bebes em êxtase
Sou chocolate
Que se desmancha
Na tua língua
Sou bala de hortelã
a refrescar tua boca
antes de me digerir
Sou teu chantilly
Que espalhas no corpo
Onde? Não digo aqui!
Sou tua delícia
Me engole aos poucos
Antes que fique louco
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