Até...
Este é o último post que faço. Não voltarei mais a escrever neste espaço. O prazer que eu tinha de faze-lo cessou. Já não sinto a emoção de antes para fazer o que alguns, por puro carinho, chamam de poesia e que eu - sem falsa modéstia - concebo como simples textos que me vêm da alma. Não tenho cultura literária, nada sei de métrica e rima. Não posso, pois, ser poeta.
O prazer que conduziu minhas mãos pelo teclado me deu grandes amigos. Inútil nomear. Seria injusto com alguém que eu pudesse esquecer. Não vou deixá-los. Virei sempre. Estarei sempre aqui a desfrutar desse doce deleite de acariciar minha alma com a leitura da mais pura poesia de vocês.
O que mais motivou minha saída foi a brutal e covarde invasão de minha intimidade por alguém que, sem escrúpulos, descarregou suas frustrações numa página que só se propunha a falar de sentimentos, jamais de ressentimentos. Sofri agressões. A troco de quê? Qual era o verdadeiro objetivo? Essa pessoa queria me destruir? Jamais conseguiria. Tenho a verdadeira dimensão do meu caráter e não deixo que esse tipo de coisa saia da tela para a realidade.
Ao entrar no meu PC e invadir até os e-mails pessoais de minha família, essa pessoa pode ter pensado que nos colocaria uns contra os outros e, quem sabe, julgava que poderia tirar proveito da situação. Será que julgava que teria meus favores sexuais virtuais? Não creio. Nem sou assim tão gostoso quanto pareço. (rs) Acho que não valho à pena em troca de todo esse trabalho.
Essa pessoa pode até vir a sentir um prazer mórbido, doentio pelo que fez. O que não sabe é que, ao invadir minha privacidade, deu-me prova inequívoca que minhas palavras aqui postas tinham uma grandeza que nem eu desconfiava que eram possuidoras E ao seu prazer mórbido contraponho o meu prazer sadio de ter feito algo que atingiu pessoas de sensibilidade que continuarão lado a lado comigo, pois jamais os abandonarei.
Saio feliz, acreditem. Por tudo. Pelos amigos que fiz, pela poesia que li com a alma flutuando de emoção e, principalmente, porque que o que fiz deixou marcas indeléveis em algumas pessoas.
Deixo, à guisa de despedida, um último “poema”.
Pássaro-poeta

Abri, uma a uma,
Num gesto sofrido
As janelas de aço
Que separavam
Meu interior da
Dura realidade
E meu poema
Pássaro-ferido
Alçou vôo, lentamente...
Em direção ao infinito
Pra nunca mais voltar
Amarrei, uma a uma,
Em silêncio dorido
As asas do sonho,
E com um laço escarlate
Uni para sempre
O pássaro-poeta
E a doce saudade
Da poesia sem asas,
Voei, lentamente
Em direção ao azul
Do meu próprio infinito
Pra não mais poetar!
Nasci 8 anos depois do fim da 2ª Guerra Mundial. Os anos que se seguiram ao fim do conflito foram de muito medo, mas também de uma riqueza cultural muito grande. A poesia, ainda uma das mais vivas formas de manifestação cultural, cantava o sofrimento de uma época recente marcada pela destruição de milhares de famílias no mundo todo.
Aos dez anos encontrei um antigo compacto simples, com poemas declamados pelo inesquecível Paulo Gracindo. Um deles eu publiquei aqui no Dia das Mães. Outro, falando da tragédia da guerra à época ainda recente, continua a me emocionar até hoje, deixando viva em minha memória a lembrança de milhões de crianças que perderam seus pais em qualquer guerra estúpida. O poema fala da guerra na Alemanha, mas poderia ser aplicado a todos aqueles que estão morrendo no Haiti, no Iraque, no Paquistão, no Afeganistão ou nas ruas e guetos de nossas cidades. Que seja, então, uma reflexão.
ORAÇÃO DE NATAL DE UM ÓRFÃO DE GUERRA
Papai Noel, você que não se atrasa...
Na visita anual que faz à Terra
Veja se faz voltar à minha casa
O meu papai, que foi brigar na guerra
Ele partiu numa noite estranha
Que da lembrança nunca mais me sai
Disse que ia brigar lá na Alemanha
E eu não vejo mais papai.
Mamãe lia suas cartaz baixinho, devagar
-Eu voltarei breve, ele dizia
Que esta guerra está prestes a acabar
Depois, passaram-se mesmo muitos dias
E notícia alguma de papai nos veio
E mamãe na maior das agonias
Esperava a passagem do Correio
Nada vinha, o silêncio era completo
E até hoje, nem sei bem por que...
Mamãe passou a se vestir de preto
Sua dor eu não conseguia entender
Até que enfim, com a última batalha
Só de lembrar o coração me dói
O Correio nos trouxe uma medalha
Com cinco letras da palavra: “HERÓI”...
Porque será, Papai Noel, me arrasa...
Essa coisa... que a alma me corrói
Se os heróis não voltam para casa...
...será que vale à pena ser herói?
AVISO AOS AMIGOS
Meus amigos
Algum (a) canalha, de alguma forma, conseguiu invadir meu pc e agora manipula meu email que dá acesso ao meu MSN. DELETEM, SEM ABRIR, QUALQUER EMAIL ENVIADO DO ENDEREÇO vera_marx@hotmail.com
Perdi o acesso ao email, já que minha senha foi trocada. Se alguém souber como ou conhecer alguém que possa identificar o autor dessa canalhice, por favor, me ajude. Já desconfio de uma pessoa, mas gostaria de ter certeza, só que não sei como.
Você é o sonho mais antigo
Que minha imaginação criou
E transporta para a realidade
Nele, nós brincamos de esperar.
É, de todos, o mais lindo e remoto
Que trago guardado na alma
Você é o maior de todos meus desejos
Uma louca mistura de cheiros e líquidos
sensações. emoções, nervos, pele e pelos
Nele, nós brincamos de amar
É, de todos, o mais forte e latente
Que trago nos cinco sentidos
Você é o maior de meus segredos
Indevassável, inconfessável
Mistura esperança e saudade
Nele, a dor e o amor brincam comigo
É, com certeza, o mais belo e dolorido
Que trago guardado no peito
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