Eu não sei se a poesia me invade ou se, fugidia, aflora da minha alma, deflora minhas razões e me abandona em busca de outros corações que a entendam mais que eu.
Não sei se sei ser o que não quero ser. Reluto, refuto e, sem outra, alternativa, inscrevo meus ais entre os sais do suor que aflora dos meus poros insípidos. Releio cada sílaba soletrada no dicionário de páginas em branco e vejo que nenhum tratado filosófico explica o sentido da única palavra que aprendi sem ler nos livros: solidão.
Em meio ao que me divide, fico sem saber se sou ou não o dono da minha própria falta de razões. E, só então, sem explicações, decido que não sei se sei ser.
Minha mão tateia a cama vazia
Já não há teu rosto para afagar
Meu desejo cresce com volúpia
Mas já não há sexo para amar
Minha solidão vagueia pelo ar
Já não há vida na qual acreditar
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