"Há esperanças, só não para nós." Franz Kafka

 

 

 

 

 

 

Tormenta

 

Não busco o que me atormenta

Busco do amor a tormenta

Que me alimenta, sacia a alma

Que me invade, que me acalma

 

Não busco a saciedade no sexo do prazer

Busco a fragilidade do sentimento de fazer

Que  a sede que só se aplaca

Quando o amor chega e deixa sua marca

 

Não quero a onipresença de desejo

Nem quando só em sonho te vejo

Quero reinventar a brandura do olhar

Que encontra o teu e me ensina amar

 

Quero fazer o silêncio falar por nós

Explicar o que não consegue minha voz

E, só então, fazer ressurgir da dor

A forca inquebrantável desse amor

 

ENTREVISTA SOBRE LITERATURA DA LINGUA PORTUGUESA

O convite – irrecusável – para participar desta entrevista veio da Ângela. Ângela é alguém especial. Chegou aqui sem alarde e com sua poesia ousada e madura. A mim conquistou como se conquista um grande admirador e um amigo pra sempre. Regateei muito antes de responder. Afinal, sou eu o repórter e nunca havia sido entrevistado. Mas o afeto e a forma carinhosa com que fui indicado pesaram mais que a timidez e decidi responder hoje. Espero que o que eu diga encontre eco em alguns de vocês. Afinal, é pra isso que uma entrevista deveria servir. 

1-Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Batismo de sangue, de Frei Beto.

2-Já alguma vez ficaste apanhadinho (a) por um personagem de ficção?
O drama de Marcelo Rubens Paiva, em Feliz Ano Velho fez com que eu visse o mundo de forma menos materialista.

3-Qual foi o último livro que compraste?
Budapeste, de Chico Buarque de Holanda e A Ditadura Escancarada, de Élio Gaspari.

4-Qual o último livro que leste?
A Ditadura Escancarada, de Elio Gaspari e Chatô, o Rei do Brasil, de Fernando Morais.

5- Que livro estás a ler?
O Anticristo, de Friedrich Nietzsche.

6 - Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?


Um dia vou viver num lugar assim. Serão os meus últimos anos. Vivo numa ilha e embora não seja tão deserta quanto a pergunta sugere, aqui em São Luis aqui há lugares bastante isolados, em praias praticamente desertas, onde é possível passar dias, talvez semanas ou meses lendo sem ser incomodado. Mas quero uma casa pequena, no campo ou na praia. E levarei toda a minha biblioteca. Vou reler demoradamente, Admirável Mundo Novo, de
Aldous Huxley, Nada de Novo no Front, de Eric Maria Remarck, participar das Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, Pele e Osso, de Bandeira Tribuzzi e Poema Sujo, de Ferreira Gullar. (Escondidos na mochila iriam todos os gibis de Durango Kid).  

7 - A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e por quê?
Passei muito tempo para responder este questionário de minha amiga Ângela, e por isso peço  perdão a ela. Também deixei de visitar muitos amigos e não sei quantos e quem respondeu, mas se fosse possível eu gostaria de ver as respostas, individualmente, da Loraine e da Julia, do blog Espaço Livre (http://espacolivre.zip.net/index.html) e da Mari, do Blog João  Sem Braço (http://www.joaosembraco.blogger.com.br/).

 

- Como te chamas?
- Amor...
- O que você faz?
- Amo...
- Todo mundo?
- Todo mundo, não!
- Quem?
- Você!
(Trecho de uma canção antiga.)

Teu

Tu que não me conheces
Negando-me o sal de tua presença
Tu que não habitas minha vida
Negando as minhas certezas
Tu que sequer me possui
Negando-me o ardor juvenil
Tu que nunca me dás o abraço
Negando-me o prazer do teu toque
Tu que nunca choras de felicidade
Negando-me o direito ao reencontro
Tu que não me envolves em carícias
Negando-me minhas loucas vontades
Tu que não me espreitas na noite fria
Negando-me o febril ato de amor...
Habitas em mim qual um delírio...
II
Eu que nunca te conheci
Somando a dor de tua ausência
Eu que tanto quis abandonar-me a ti
Te adicionando às minhas conquistas
Eu que nunca te tive em mim
Desordenando minha razão
 Eu que te quis dentro de mim
Abandono-me à renúncia do que não tive
Eu que tanto chorei nas noites de tristeza
À espera de tua entrada em minha vida
Eu que nunca te acariciei com meu corpo
E me entregava a ti com todos os sentidos
Eu, que te espreito todos os dias de minha vida
Já não creio nesse sentimento utópico

Mas ainda que o Amor não exista...
Pra sempre...
Sou teu...


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BRASIL, Nordeste, SAO LUIS, VILA IVAR SALDANHA, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese
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