Lágrimas
Entre o verde e o mel
Sempre elas brotam
Umas, emoções do céu
Outras, vazias, esgotam
Muitas, tão solitárias
Mal chegam aos lábios
Choram dores várias
Deste coração ávido
Outras brilham e descem
Buscam no peito toda dor
São gotículas que nascem
Quando fenece meu amor
Algumas delas, na realidade
Diferem dos cristais de dor
São lágrimas de felicidade
Quando renasce o amor
Há um ano recebi sua visita - e desde então elas se tornaram frequentes. Ele é um poeta português impossivel de adjetivar e mantém uma luta desigual pela Vida. Mas não é isso que o torna mais importante para mim ou faz da sua poesia única. Rogério Martins Simões é uma prova viva de que existem almas, se não gêmeas, bastante semelhantes em outros lugares. Sua vigorosa e emocionante poesia a mim diz coisas que nenhuma outra diz. Temos muito em comum, além do amor à arte de poetar. Temos preocupações sociais bastante parecidas e uma força que vem de Deus para superar as adversidades. Ei-lo!
Pés descalços
Eu vi crianças nuas
A rir e a brincar
Atravessando ruas
Vi os pais chorar
Eu vi crianças nuas
Com cus tão vermelhos
Atravessando ruas
Sem ouvirem conselhos
Eu vi crianças nuas
Com sono… já se vê
Atravessando ruas
Sem saberem porquê
Eu vi crianças nuas
Fugindo das buzinas
Atravessando ruas
Virando as esquinas
Eu vi crianças nuas
Ó magra tristeza
Atravessando ruas
À espera de mesa.
Eu vi crianças nuas
Sonhando com fadas
Atravessando ruas
Descalças nas estradas
Eu vi crianças nuas
E os ricos fora delas…
Atravessando ruas
Olhando-as das janelas…
Eu vi crianças nuas
Em coro a chorar
Atravessando ruas
Sentias cantar
“Aquela criança nua
Com o rostito chorão
Tinha por vontade sua
Não viver como um cão”
12/1973 - Rogério Simões
PIOR QUE A DÚVIDA
Pior que a dúvida
É o silêncio – quando o silêncio pesa
Pesam as palavras
Não há certezas
A única certeza é a morte
E na dúvida
Ressoam os pensamentos.
As inquietações
O azar ou a sorte
É como se não existissem soluções
Jogamos todos os dias a roleta…
E, estranhamente,
Quando estamos na valeta
O tempo passa lentamente
- Tão devagar que o tempo medra…
É como que se conservasse uma pedra no sapato
Lancei fora tantas vezes a pedra…
E no ricochete
Vaporizei pó e de novo se fez pedra
06-07-2005 - Rogério Simões
Para conhecer mais,http://poemasdeamoredor.blogs.sapo.pt/
|
||||
![]() | ||||
![]() | ||||
|
||||