Era meu corpo...
Colado ao teu corpo
E saíam faíscas das gotas
de suor que caíam
de nossos corpos incandescentes
Eram minhas mãos...
A percorrer teu corpo...
Eram tuas mãos...
A apertar meu corpo
E nossos corpos flamavam em êxtase
Eram nossos dedos
A invadir sulcos
A percorrer montes
A dedilhar canções
Em cordas de nervos e músculos...
E nós dois, tingidos de vermelho brasa,
Ardemos noite adentro sem parar
Até, quando raiou o dia
E a manhã nos encontrou desfeitos...
Em cinzas...
Blues
Na seda da colcha esmaecida
Carícias nos montes carnais
E a alma pálida ensandecida
Mergulha em duetos de ais
Mãos se agitam e deslizam
Entre pêlos e peles sensuais
Bocas e lábios realizam
Frenéticas danças animais
Enquanto o desejo percorre
Tuas vontades indefesas
Minha vontade se socorre
Em ti, minha pequena presa
E enquanto desejo repousa,
Dos nossos corpos cansados e nus
Na noite um som ainda ousa
Reiniciar tudo com um blues
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