Cinzas

 

 

 

Era meu corpo...

Colado ao teu corpo

E saíam faíscas das gotas

de suor que caíam

de nossos corpos incandescentes

 

 

Eram minhas mãos...

A percorrer teu corpo...

Eram tuas mãos...

A apertar meu corpo

E nossos corpos flamavam em êxtase

 

Eram nossos dedos

A invadir sulcos

A percorrer montes

A dedilhar canções

Em cordas de nervos e músculos...

 

E nós dois, tingidos de vermelho brasa,

Ardemos noite adentro sem parar

Até, quando raiou o dia

E a manhã nos encontrou desfeitos...

Em cinzas...

 

Blues

 

 

Na seda da colcha esmaecida

Carícias nos montes carnais

E a alma pálida ensandecida

Mergulha em duetos de ais

Mãos se agitam e deslizam

Entre pêlos e peles sensuais

Bocas e lábios realizam

Frenéticas danças animais

Enquanto o desejo percorre

Tuas vontades indefesas

Minha vontade se socorre

Em ti, minha pequena presa

 

 

E enquanto desejo repousa,

Dos nossos corpos cansados e nus

Na noite um som ainda ousa

Reiniciar tudo com um blues

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BRASIL, Nordeste, SAO LUIS, VILA IVAR SALDANHA, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese
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