Amigos,
Perdi-me em encantamento. Desculpem por isso! Abaixo, um texto postado no domingo, dia 16, na minha coluna Política.com, no jornal Veja Agora. Partilhem da minha felicidade.
Bem-vinda, minha colega!
Há exatos 26 anos, meu pai e companheiro, o ex-deputado e jornalista Vera Cruz Marques, encontrava-se na cidade de Pindaré-Mirim em mais uma missão profissional. Ele foi para ali criar a sucursal do jornal "O Estado do Maranhão" no Vale do Pindaré. Nesse mesmo dia, uma sexta-feira, eu soube que havia sido aprovado no vestibular para o curso de Comunicação Social da UFMA. De lá, mal contendo a mesma emoção que agora me faz chorar, mandou-me o seguinte telegrama: "Parabéns vg futuro grande jornalista pt Não desista nunca pt Abraços vg teu colega vg Vera Cruz". Era assim, antes, que a gente se comunicava com o interior. Os telefones interurbanos ainda não haviam chegado e os e-mails ainda não haviam sido inventados. Sobrava o tradicional código morse, com seus vg e pt, que significam vírgula e ponto.
Na última sexta-feira, quis Deus, a pedido de meu pai, que anda trocando figurinhas com ele lá em cima, que eu tivesse a mesma emoção que ele viveu há 26 anos. Minha primogênita Rafaela, que já cursava Publicidade no Ceuma, foi aprovada de forma brilhante no vestibular da UFMA, e vai sentar-se nas mesmas cadeiras que um dia eu sentei naquele prédio do Bacanga.
Sua nona colocação é bem melhor que a minha de há 26 anos. Fiquei na rabeira, atrás de gente como Alex Brasil, Herbert de Jesus Santos, Cristina Amélia Cordeiro, Jota Alves e tantos e tantos outros.
Talvez seja um desígnio de Deus. Talvez ele queira nos colocar à prova pela parte mais difícil, que é o de retratar sentimentos, lágrimas, alegrias e emoções através de palavras. Agora que começo a ver a sombra do meu outono se divisar no horizonte, agora que começo a pensar na aposentadoria, não posso dizer se fui o que meu pai queria que eu fosse: um grande jornalista. Mas tenho a convicção que ele sabe lá de cima que em meu bolso jamais entrou um único centavo que não fosse suor de meu trabalho. Posso não ter sido um grande jornalista, mas sei que lutei muito para fazer sua vontade e não desistir.
Tenho um outro filho, Adriano, que ainda tem dezessete anos. Daqui a dois anos, será a vez dele. Sereno e comedido, tem de mim a determinação que me fez vencer, mesmo sem ter alcançado tudo o que queria. Ele, como Rafaela, também será um vencedor.
Não gosto de injustiças e quero pedir a ela, à sua mãe Neusa, minha companheira de mais de duas décadas, o perdão que lhes devo pelas muitas vezes que não aceitei os argumentos para os percalços. Caminharemos juntos até o fim.
Por fim, quero pedir a bênção da minha mãe, Santa. Não para mim, mas para a minha filha. Na sexta-feira, ela foi a primeira pessoa da família a ser avisada, e ao ver minha filha emocionada, vi, nos olhos dela, a mesma alegria que vi no dia em que eu fui aprovado.
O que dizer a uma filha numa hora como essas?
Seja bem-vinda, minha colega! Eu sei, é pouco, muito pouco para quem me devolveu a alegria que só experimentei quando você e seu irmão nasceram.
Desculpas, senhores!
Espero que os habituais leitores me perdoem. Mas para mim, hoje não era dia de falar de política. Só quem vive ou viveu a emoção que estou vivendo vai compreender exatamente o motivo que me levou a driblar o convencional e me aventurar a falar de coisas que a mim dizem respeito. Peço desculpas. Volto na terça-feira, com a mesma vontade de continuar tentando atender ao pedido de meu pai.
Par ou impar?
Não é mais meu desejo me desfazer em poesia
Nem sozinho em lágrimas
Não confundo mais os calores e aromas
Sinto-os, apenas
Já não tremo as mãos à espera
Já não sofro a ausência
Já não canto odes à solidão
Há sempre alguém à espreita
Desejando meus desejos,
Violando minhas vontades
Queimando, ardendo
dentro de mim.
Mas se somos dois...
Porque sinto-me só?
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