
F L A G E L O
Se a brava e breve onda
Dessa lágrima insone
Abreviasse minha dor
E a folha solta saltasse
Do meu livro de lembrança
Para afugentar meus medos
Não estaria eu mais aqui
A navegar essa nau à deriva
Não fosse eu apenas um trapo
A esperar todo dia a tua volta
Tu de mim não ririas mais
A desdenhar deste meu sofrer
Se meu peito não doesse tanto
Como a carne rasgada e exangue
Rubra, flagelada e delirante
Eu poderia, então, sozinho
Viver minha própria morte
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