
Coração leviano
(Regis Marques – 16.09.2008)
Eu te dei tudo o que me pediste
E tu, leviano, agora sei, fingiste
Colhi - e te dei-, dos campos do Éden,
Todos os amores mais-que-perfeitos
Na alcova, te dei virgens sem defeitos
E putas que ainda minha‘lma ferem
Foi assim, sim! Eu te dei quase tudo.
E queres, agora, deixar meu peito mudo?
Ah, coração leviano! És um infiel
E eu, que te julguei um bom parceiro
Sinto no fígado como tu és traiçoeiro
Sorveste o néctar, deixando só o fel
Foi, sim! Foi sim! Eu te dei o mundo!
E, covarde, me deixas, seu vagabundo
Eu te dei tudo o que me pediste
E tu, leviano, agora sei, fingiste
Enquanto zombas de mim, arrítmico
Despejas rios de glóbulos caudalosos
Na teia de minhas entranhas venosas
Finges, como um cínico, ser amigo
Foste tu, sim, velho amante leviano
Quem me emocionou ano após ano
Como quando presentes Neusa, Lela e Nano
Lágrima e alegria se unem num ato divino
Que explica o mistério de Jesus Menino
A cada santo dia, em cada e todo santo ano
Será tua a culpa, bendito e leviano coração...
Se eu não viver para viver minha paixão
Eu te dei tudo o que me pediste
E agora, leviano, por favor, resiste!
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