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Viver sem ti

Lembras a mim da minha melancolia
Fina ironia ante a minha triste rotina
Lês em mim a tristeza quase ferina
 E minha vida aos teus olhos anoitecia
Correm, lépidas, como corredeiras
De um rio que deságua em mar incerto,
Chagas de coração de esperança deserto
Lembranças mui doridas, verdadeiras.
E, se em mim a vida jamais amanhece
Choro, silente, a morte da efêmera vida
Como chorei na noite da tua partida
Choro! – A rosa do meu sonho fenece
E se as feridas da alma jamais irão sarar
Tuas palavras incrédulas ganham razão
 E se há chagas eternas em meu coração
Jamais voltarei a conjugar o verbo amar 
Como pude viver sem ti???

Tenho fome
De me entregar
Fome de mar
Fome de amar
 
Choro uma dor
Do amor escondido
Do amor perdido
Do amar sem-sentido
 
Sofro a sua ausência
A falta de teu olhar
A falta de sonhar
A falta de te amar
 
Nunca mais... nunca mais



Escrito por poeta às 15h28
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Febre alta e bem-te-vi

Febril

A mariposa, noturna, sobe e pousa
A bailarina taciturna, baila e cansa
A prostituta, soturna, depois repousa
A menina, diurna; só no sonho, dança

Meu nervo ótico, sensitivo, se agita
Meu sonho, caótico, não se acalma
Meu verso, exótico, distorce e grita
Nosso sexo, erótico, é febre na alma

A menina foi atraída ao terraço pelo canto insistente de um pássaro. Ele a chamava, insistente, “bem-te-vi”. Ela atendeu ao chamamento e o que viu a encantou e assustou. O pássaro dourado repetia: “bem-te-vi, bem-te-vi”. O que ele teria visto? Ela não havia feito nada de errado, mas o pássaro repetia sua cantilena: “bem-te-vi, bem-te-vi”. Será que aquele pássaro fofoqueiro iria contar alguma mentira ao papai?

Antes que houvesse alguma confusão foi correndo contar ao pai o que vira. E falou da beleza do pássaro dourado e de seu canto diferente. Sorrindo, o pai lhe explicou que aquele pássaro era um bem-te-vi, que havia feito seu ninho num árvore próxima e que cantava assim para chamar sua namorada.

- O que é um ninho?, perguntou

- É a casa dos passarinhos. Eles a constroem para casar e ter filhos. – explicou-lhe o pai.

- Quando eu for casar vou construir minha própria casa?

- Vai, sim, minha bem-ti-vizinha -, disse o pai, sorrindo, entre surpreso e emocionado.

Mas a menina ficara encantada mesmo foi com o canto do pássaro. Todas as tardes esperava, ansiosa, a volta do bem-te-vi que vinha cantar na pauta de metal que conduzia eletricidade para as casas de sua rua. E quando ele, infalivelmente, aparecia quando o sol se punha, ela, como uma bem-te-vi, repetia o gorjeio do pássaro.

Mas a menina cresceu. E o pai seguiu chamando-a de “bem-te-vi”. Ela não se importava. Era mesmo como uma ave. Planava, em voos solo, e em movimentos graciosos enfeitava o céu de sua família e amigos. Sua voz era um trinar que encantava e aquecia as manhãs de seus pais e seus irmãos.

Mas ela tinha que voar com suas próprias asas. Ela precisava voar! E partiu. A menina encantada com o canto do bem-te-vi virou advogada e hoje defende pessoas que não tem como pagar advogados.

Ontem, a bem-te-vi voou mais alto. Foi construir seu próprio ninho: casou!

Hoje, Bem-te-vi é a senhora Lívia Guanaré Sampaio, mulher de Leandro.

Que Deus a abençoe e ouça seu canto em defesa dos que precisam.

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Escrito por poeta às 15h27
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